05/11/2006 - 23h59 Eleições na Nicarágua, uma "vitória democrática"
=(FOTOS)= MANÁGUA, 5 nov (AFP) - A
União Européia (UE) considerou "grande vitória democrática" a
participação em massa dos nicaragüenses nas votações deste domingo para
eleger o presidente da República e renovar o Parlamento.
"Isso
quer dizer que o presidente será de verdade aquele que a Nicarágua
quiser para os próximos cinco anos", expressou o chefe da missão de
observação da UE, o italiano Claudio Fava.
Nas mais de 4.000
Juntas Receptoras de Votos (JRV) visitadas pelos 150 observadores da UE
houve apenas três queixas verbais "não suficientemente graves para
impugnar o processo de votação", concluiu Fava.
Milhares de
observadores nacionais e internacionais, entre eles os da Organização
dos Estados Americanos (OEA), e do centro Carter, também acompanharam o
processo.
Com as pesquisas de boca-de-urna explicitamente
proibidas, as primeiras indicações sobre a decisão dos nicaragüenses
serão conhecidas às 04h00 GMT, quando o Conselho Supremo Eleitoral
começar a divulgar os resultados desta histórica eleição que esteve
marcada pelo 'revival' da Guerra Fria - uma luta de influências sem
quartel entre os Estados Unidos, que evitaram por todos os meios o
avanço do candidato ex-guerrilheiro Daniel Ortega, e a Venezuela de
Hugo Chávez, que apóia o sandinista..
Daniel Ortega estabeleceu
como prioridade, em caso de vitória, um programa de resolução dos
problemas energéticos. "Já podemos contar com o acordo concluído com
nosso irmão venezuelano", declarou diversas vezes durante a campanha.
O
ex-líder guerrilheiro, que tomou o poder pelas armas, cedendo-o à
adversária Violeta Chamorro depois de perder as eleições de 1990,
adotou um discurso moderado, marcado por referências a Deus, ao amor ao
próximo e do desejo de realizar uma "revolução espiritual e solidária".
Segue a Daniel Ortega nas preferências populares o líder da Aliança Liberal Nicaragüense, Eduardo Montenegro.
Completam
a lista de candidatos da jovem democracia José Rizo, aspirante do
Partido Liberal Constitucionalista (PLC, direita); Edmundo Jarquín, do
Movimento Renovador Sandinista (MRS, esquerda) e Edén Pastora da
Aliança pela Mudança.
Devido às previsões de um resultado apertado e possíveis contestações, 9.
000 policiais, 3.200 voluntários e 12.500 agentes eleitorais apoiados por 8.
300 soldados foram mobilizados no país.
O
ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter elogiou no sábado o
trabalho desenvolvido pelo Conselho Supremo Eleitoral (CSE) da
Nicarágua para garantir "honestidade e transparência" nas presidenciais
e legislativas deste domingo.
De qualquer modo, o candidato que
vencer as eleições na Nicarágua terá como desafio solucionar os
problemas sociais de um dos países mais pobres do continente, além de
atrair investimentos privados e gerar emprego.
Relatórios do
Banco Mundial (BM) dizem que 70% dos 5,4 milhões de nicaragüenses vivem
com menos de dois dólares por dia e 35% estão na extrema miséria, com
renda inferior a um dólar.
Para melhorar o nível de vida dos
mais pobres, o novo governo necessitará abrir numerosas fontes de
emprego - um desafio que nenhuma das administrações anteriores pôde
superar devido à baixa atividade produtiva e industrial do país.
Segundo
as estatísticas, 13% da População Economicamente Ativa (PEA),
constituída de mais de 2,2 milhões de nicaragüenses, está desocupada, e
27% dessa mão-de-obra está empregada no setor informal, vivendo de
baixos salários que não permitem sequer a compra de alimentos básicos.
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